Um advogado de Macerata foi condenado a 8 meses de prisão por matar três setters irlandeses com veneno. A Enpa e a LAV denunciam a pena como demasiado leve e destacam o caso como exemplo de violência vicária ligada à esfera doméstica.
O Tribunal de Ancona condenou um homem, um advogado de Macerata, a oito meses de prisão, considerado culpado de matar os seus três cães – todos setters irlandeses – através da administração repetida de veneno para ratos. A liquidação de 5.000 euros de indenização a cada uma das partes civis e o pagamento de custas judiciais. As razões da sentença serão apresentadas nos próximos 90 dias.
De acordo com o que foi reconstruído no tribunal, o acusado teria inserido diversas vezes iscas contendo iscas nas refeições dos cães brodifacumeuma substância altamente tóxica, causando uma agonia lenta e dolorosa. Inicialmente, ele até tentou atribuir responsabilidades a terceiros, anunciando publicamente a morte dos animais nas redes sociais.
Durante o julgamento, a Enpa – representada pela advogada Claudia Ricci – destacou como a violência contra os animais, neste caso, faz parte de um quadro mais amplo. Na verdade, resulta dos documentos que o homem já tinha sido condenado por perseguir a ex-companheira e o atual companheiro dela.
Violência animal como forma de controle
Para a Enpa este é um caso exemplar de violência vicária: bater no que é caro à vítima (animais, crianças, entes queridos) com o objetivo de puni-la ou intimidá-la. A repressão dos cães poderia, portanto, ser interpretada como um gesto punitivo para com a sua ex-companheira e as suas filhas, em continuidade com o comportamento persecutório já estabelecido.
Este não é apenas um caso de matança de animais, mas um sinal de alerta de conduta potencialmente perigosa”, declarou o advogado Ricci.
A violência contra os animais muitas vezes precede ou é paralela à violência contra as pessoas. As investigações não podem limitar-se a um único facto, devem estender-se a todo o contexto familiar e social.
LAV: “Frase importante, frase inadequada”
A LAV, que era parte civil, também manifestou satisfação pelo reconhecimento da responsabilidade, mas definiu a punição como “desproporcional à brutalidade dos fatos”.
O sofrimento causado a três animais com os quais deveria ter vínculo afetivo não pode ser liquidado em oito meses”, comentou Sara Leone (LAV).
Mais grave ainda é que foi um homem da lei quem cometeu estes actos, consciente das falhas regulamentares. Precisamos de um endurecimento das penas.
As investigações foram possíveis graças à colaboração entre o LAV e a Região dos Carabinieri Florestais “Marche” – Estação Conero: as câmeras de uma loja de ferragens documentaram a compra do veneno para ratos, ligando-o inequivocamente ao acusado.
O que acontece agora
A Enpa aguarda a apresentação da fundamentação para verificar se o juiz avaliou também a periculosidade social do arguido, aspecto que a associação considera central. Se confirmado, o caso poderá constituir uma referência importante para futuras investigações sobre maus-tratos a animais ligados à violência doméstica.
Um caso que traz de volta à ribalta a ligação, agora confirmada por numerosos estudos e decisões, entre a crueldade contra os animais e o risco de violência doméstica.
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