O que um Beagle de Green Hill estava fazendo em um laboratório nos EUA? O horror dos testes em animais não conhece fronteiras

Da fazenda de criação Green Hill em Montichiari (Brescia), fechada em 2012 graças à coragem de ativistas, a um laboratório de testes em animais nos EUA. A história de Beagle Mason lança uma rede global de exploração e desumanidade na nossa cara

Há uma questão que não deveria existir. E ainda assim existe, é claro. Como pode um Beagle nascido na Itália acaba trancado em laboratório de testes em animais nos Estados Unidos? Quem esteve lá lembra. Não como uma notícia, mas como uma ferida aberta: Colina Verde não era apenas uma fazenda. Era o símbolo de um sistema baseado no silêncio e no sofrimento animal. Dessas estruturas impenetráveis ​​nas quais nem mesmo a luz solar filtra. Gaiolas, números em vez de nomes, cães destinados a nunca ver um gramado, cachorrinhos que morreram por ingestão de serragem e depois escondidos em geladeiras para não serem encontrados. Depois o sequestro, os julgamentos, as adoções. E uma palavra que parecia definitiva: fechado. Muitos de nós, primeiro eu, acreditávamos que a história terminava aí. Que aqueles cães, pelo menos eles, foram os últimos. Spoiler: não foi assim.

Mason, que hoje está seguro graças aos ativistas que mudaram seu destino há alguns anos, nos empurra na cara com força com seus grandes olhos. Idênticos aos do meu querido cachorro Vivi, que resgatei de Green Hill aos três meses de idade e que infelizmente nos deixou devido a uma insuficiência renal. Ele também agora tem nome, casa, alguém que o chama com carinho. Mas primeiro era um código.

Uma tatuagem de sete dígitos gravada em sua orelha. Como todas as outras cobaias. Como viver. Quando a organização Projeto Beagle Liberdade, quem o salvou, tentou reconstruir sua história, a verdade veio como um soco: aquele código não levava a um laboratório americano. Isso levou à Itália. Levava direto para Green Hill. Sim, aquela Colina Verde que não tinha nem um pingo de verde. Aqui está a parte que mais dói, para quem lutou pelo fechamento das fazendas Beagle destinadas à vivissecção na Itália, porque é a menos comentada. Não existe apenas um lugar de dor. Na verdade, existe uma rede.

Fechamos Green Hill, mas o pesadelo continua em todo o mundo

Funciona assim: um cachorro nasce em uma fazenda de criação. É vendido a um intermediário (quanto menor, mais valioso é). Atravessa fronteiras. Acaba num laboratório sabe-se lá onde. E ao longo deste caminho ninguém realmente vê isso. Ninguém o chama pelo nome. Isto é o que Mason nos joga na cara: os testes em animais são globais, organizados e incrivelmente eficientes. Muito mais do que a nossa indignação e protestos. Fechamos Green Hill. Mas não fechamos o sistema que tornou isso possível. Salvamos aqueles milhares de Beagles. Mas não detivemos a procura que os gera e continuamos a fazê-lo. E então acontece isto: um cachorro nascido aqui, na Itália, há anos, reaparece do outro lado do mundo, dentro de um laboratório. Como se nada tivesse mudado.
E enquanto isso, em algum lugar, nasce outro cachorrinho já destinado. “Até que todas as gaiolas estejam vazias,” diz o Projeto Beagle Freedom.

Parece quase impossível. Mas a história de Mason serve precisamente para isso: para nos lembrar que ainda não acabou. Não foi em 2012. Não é hoje. E acima de tudo: não basta salvar alguns. Devemos parar de produzi-los para esse fim em todo o mundo. Porque cada vez que dizemos “felizmente ele está seguro”, em algum lugar há outro que não estará. Vou continuar falando sobre isso para todos eles e para a Vivi, para que nunca mais sejam apenas um número tatuado na orelha e um corpo para experimentar.

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