Nem todos os cães assistem TV da mesma maneira: estudo da Universidade de Auburn mostra que a personalidade influencia profundamente o que os atrai ou assusta na tela
Quando ligamos a TV, nossos cães não ficam simplesmente como espectadores passivos. Há quem observe em silêncio, com os ouvidos em pé ao menor latido ao longe. Que, em vez disso, salta de repente para perseguir algo que se move na tela. E depois há quem, irritado, prefira ir para outro quarto.
Todos comportamentos diferentes, mas que escondem um traço comum: a personalidade do cachorro. De acordo com pesquisa realizada porUniversidade de Auburnpublicado em Relatórios Científicosa forma como os cães reagem à televisão não é nada aleatória. Pelo contrário: a sua resposta depende de quem são, de como vivenciam as emoções e de quão sensíveis são aos estímulos.
O estudo, o primeiro em tão grande escala já realizado sobre este tema, envolveu 453 cães. E os resultados são verdadeiramente surpreendentes.
Cães mais animados ou mais ansiosos?
Os pesquisadores pediram a centenas de pessoas que contassem como seus cães se comportam diante da TV: se abanam o rabo, latem, perseguem alguma coisa ou permanecem calmos. Entre fevereiro e março de 2024 coletaram dados de 650 proprietários, e selecionaram aqueles cujos cães demonstravam real interesse pela tela.
Para analisar comportamentos, eles criaram um escala de observaçãoa Dog Television Viewing Scale (DTVS), que avaliou reações a diferentes estímulos: sons de animais, ruídos como buzinas ou sinos, pessoas, objetos em movimento.
Os cães reagiram de três maneiras principais:
- Estímulos animais: Os sons de outros cães (latidos, uivos) são os que mais chamam a atenção. Quase metade dos cães sempre os reconhece.
- Perseguindo comportamentos: Alguns cães parecem convencidos de que o que veem é real. Eles acompanham as imagens que saem da tela, procuram atrás da televisão, andam pela sala como se quisessem perseguir alguma coisa.
- Estímulos não animais: Ruídos como a campainha ou o carro afetam mais os cães ansiosos ou assustados, e eles reagem de forma perceptível mesmo que haja apenas um filme na TV.
E aí vem o ponto chave do estudo: Não importa a raça, nem a idade, nem o sexo do cachorromas apenas sua personalidade.
Mais cachorros excitávelou seja, aqueles cheios de energia e facilmente estimulados, reagem fortemente a objetos em movimento. Aqueles mais ansioso ou com medopor outro lado, são muito mais sensíveis aos sons, especialmente se os perceberem como ameaças potenciais.
Os cães entendem que o que veem na TV não é real?
É uma das questões mais fascinantes do estudo. E a resposta parece ser… nem sempre.
Alguns cães respondem a comandos dados por pessoas em vídeo, tal como fariam se essas mesmas palavras fossem ditas ao vivo. Outros olham atrás da tela em busca do objeto que acabaram de ver desaparecer. Em suma, para muitos, a TV poderia ser experimentada quase como o mundo real.
Segundo os pesquisadores, essa forma de perceber o que veem pode ser semelhante ao que chamamos de “realidade aumentada”, e ajudá-los a construir uma imagem tridimensional a partir de imagens bidimensionais.
Deixar a TV ligada pode ajudar os cães? Tudo depende de quem eles são
Esta descoberta tem implicações reais, especialmente para cães que vivem em canis ou abrigos. A ideia de deixar a televisão ligada para fazer companhia aos animais já ganha força, mas agora sabemos nem todos os cães se beneficiam disso.
Para cães ansiosos, por exemplo, certos sons podem aumentar o estresse. Pelo contrário, para um cão animado, um documentário sobre a natureza ou uma partida de ténis podem tornar-se um momento de diversão e estímulo.
No futuro, podemos pensar em conteúdo sob medidaescolhido com base no perfil do personagem do cão. Um pouco como fazemos com o Netflix.
O que podemos fazer em casa?
Se você já se perguntou se seu cachorro realmente assiste TV, agora você sabe que a resposta é sim – mas de uma forma muito pessoal.
Se o seu cão for brincalhão e reativo, ele poderá gostar de imagens em movimento rápido e ruídos animados. Porém, se ele for sensível ou se assustar facilmente, é melhor evitar conteúdos barulhentos ou caóticos.
Entender como seu cachorro reage aos estímulos pode ajudá-lo a construir um ambiente doméstico mais sereno, estimulante e respeitoso. Porque mesmo que ele nunca saiba quem ganha o Big Brother, aquele fantoche barulhento no anúncio pode ser uma experiência memorável para ele.
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Fonte: Relatórios Científicos
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