Um grupo de Rottweilers idosos mostra-nos como o contexto hormonal pode influenciar a capacidade do corpo de resistir à fragilidade
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Uma nova pesquisa examinou mais de perto um grupo de 87 Rottweilers machos muito velhos para descobrir como seu corpo lida com a fase final da vida. O foco? Não tanto sobre doenças específicas, mas sobre fragilidade: aquela condição que, na idade avançada, acumula pequenos e grandes problemas de saúde e torna tudo mais precário.
Mas a surpresa é outra: os cães que eles tinham a atividade hormonal dos testículos por mais tempo ao longo do tempo eles mostraram um maior resistência à fragilidade. Enquanto os castrados precocemente, com menor exposição aos hormônios sexuais, foram mais atingidos.
A conexão entre hormônios e sobrevivência em cães (e além)
O estudo, conduzido pelo Dr. David J. Waters no Centro de Estudos de Longevidade Excepcional em Indiana, analisou um índice de fragilidade composto por 34 elementos: desde problemas de mobilidade a condições crónicas. Cada cão foi avaliado e acompanhado até a morte natural. Em cães castrados precocemente, cada pequeno aumento na fragilidade multiplicou o risco de morte. Naqueles que mantiveram o eixo hormonal ativo por mais tempo, essa ligação entre fragilidade e morte praticamente ocorreu desaparecido.
E se você acha que se trata apenas de cachorros, pense novamente: estudos semelhantes em homens mostram que baixos níveis de testosterona estão associados ao aumento da fragilidade. E não é apenas uma questão de quantidade: também a forma como o cérebro e a glândula pituitária continuam a enviar sinais aos testículos isso faz a diferença. Em outras palavras: o sistema deve permanecer em equilíbrio para realmente proteger o corpo.
Porque as escolhas feitas em tenra idade são importantes mesmo depois dos 70 anos
Em cães (e humanos), esterilização precoce tem um impacto duradouro. Após a castração, o corpo continua a produzir sinais hormonais como se procurasse testículos perdidos. Esse estímulo crônico pode mudar a forma como o corpo reage à velhice.
Não é um julgamento, nem sequer um conselho para não esterilizar: o estudo não pretende ditar regras para a prática veterinária. Ele quer em vez disso provocar uma reflexão sobre o papel da fisiologiae quanto nosso corpo retém a memória de suas escolhas hormonais.
Além disso, pesquisas sugerem que sinais hormonais podem mudar o próprio significado da fragilidade. Não se trata apenas quanto fragilidade que temos, mas de o quanto nosso corpo é capaz de lidar com isso.
Envelhecer bem não é apenas uma questão de genes
O contexto externo também muda tudo. Nas últimas décadas, por exemplo, a ligação entre fragilidade e mortalidade enfraqueceu em várias coortes de idosos na Suécia. Melhor comida? Tratamento médico? Mais atenção à qualidade de vida? Talvez de uma vez. Além disso, novas ferramentas de medição estão sendo desenvolvidas quão biologicamente “resilientes” somos. Alguns índices, que combinam idade, sexo e dados genéticos, já são capazes de prever a sobrevivência na velhice com boa precisão.
A investigação genética e sobretudo epigenética — o estudo dos sinais químicos que influenciam os nossos genes sem alterar o ADN — em breve nos levará a uma melhor compreensão como as experiências hormonais da juventude podem deixar sua marca até a velhice.
O que podemos aprender com esses cães
A lição mais interessante? Não é tão importante prolongar a juventudemas faça o corpo mais capaz de resistir à fragilidade quando se trata. O estudo abre caminhos promissores para a medicina, tanto veterinária quanto humana. Um dia poderemos entender se é possível manter o sistema hormonal ativo, ou pelo menos imitar seus efeitos, para proteger o corpo na velhice.
Entretanto, a mensagem vinda destes Rottweilers é clara: fragilidade não é um destinomas um processo que pode ser modulado — inclusive através do que acontece muito antes da velhice.
Fonte: Relatórios Científicos
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