Aqui vamos nós outra vez. O horrível Festival de Yulin regressa este ano, de 21 a 30 de junho, na China, provocando indignação e controvérsia sobre a sua brutalidade, bem como sobre as implicações para a saúde. Mas como surgiu e por que ninguém conseguiu impedir este massacre?
@Vshine
Para o mundo, o solstício de verão é um novo começo, para milhares de cães é o fim. A partir de amanhã, 21 de junho, será realizado na China um dos eventos mais concorridos e aberrantes do mundo: o Yulin Dog Meat Festival. Um acontecimento que, apesar das condenações globais e dos pedidos de abolição, se repete todos os anos durante cerca de dez dias, trazendo consigo um rasto de sofrimento e também apresentando riscos para a saúde.
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A origem da festa e os números da matança
Apesar do que alguns afirmam, o festival que se realiza em Yulin – cidade da região autónoma de Guangxi, no sul da China – não tem origens antigas. Não existe nenhum documento histórico que ateste uma ligação profunda entre a cidade de Yulin e o consumo ritual de carne de cachorro. O chamado “Festival da Lichia e da Carne de Cachorro” nasceu em 2010, por iniciativa de comerciantes locais ansiosos por relançar as vendas durante o solstício de verão. Inicialmente também houve abate até 15.000 cães durante os dez dias do festival. Hoje, também graças a inúmeras pressões de ativistas e cidadãos, o número caiu para cerca de 5.000 cães mortos.
De onde vêm os cães abatidos?
Um dos aspectos mais controversos é o origem dos animais. De acordo com numerosas investigações conduzidas por associações chinesas e internacionais de defesa dos direitos dos animais, a grande maioria dos cães não provém de criadores “oficiais” (o que, em qualquer caso, já seria eticamente inaceitável), mas sim de criadores “oficiais”. roubos e sequestros. Muitas vezes é sobre animais de estimação roubadosou de animais de rua capturados no campo e transportados durante dias em condições infernais: amontoados em minúsculas gaiolas, sem água, sem comida, feridos, traumatizados.
Muitos vêm ao festival doente, desidratado ou já morto. Aqueles que sobrevivem apenas o fazem para enfrentar um massacre brutal, por vezes realizado publicamente e com métodos inimagináveis: golpes, decapitações, queimaduras. Há testemunhos diretos de cães cozidos vivos, convencidos de que a carne “quanto mais sofre, melhor fica”.
Uma pesquisa realizada recentemente pela HumaneWorld for Animals descobriu que a maioria dos residentes chineses (87,5%) já não consome carne de cão ou gato ou apenas raramente (uma ou algumas vezes por ano). Apenas uma minoria (12,5%) consome regularmente (pelo menos uma vez por semana ou mês).
A mobilização para parar o massacre
Além de extremamente cruel, o festival de Yulin apresenta sérios riscos à saúde. A Organização Mundial da Saúde alertou que o tráfico e o abate clandestino de cães incentiva a propagação de doenças zoonóticas, incluindo a raiva, aos quais a China é historicamente vulnerável. As condições higiénicas dos mercados são precárias, a carne não é sujeita a controlos veterinários e o transporte ocorre sem qualquer rastreabilidade.
Durante anos, uma rede de associações e ativistas pelos direitos dos animais tem se mobilizado com petições e campanhas nas redes sociais (#StopYulinForever) para acabar com o massacre. E em 2020 a China retirou cães e gatos da lista de “gado”, classificando-os formalmente como animais de estimação: um sinal importante, embora com fracas aplicações a nível local. Por que então o Festival Yulin continua a existir? A resposta é tão brutal quanto simples: interesses económicos. Para alguns donos de restaurantes e comerciantes locais, o Festival de Yulin representa uma oportunidade de obter lucros, muitas vezes com a cumplicidade silenciosa das autoridades locais que fazem vista grossa – ou ambos – por conveniência ou por medo de protestos.
É importante esclarecer que a carne de cachorro não é ilegal na China, embora não seja mais considerada um “alimento recomendado”. Esta zona cinzenta regulamentar permite que o festival sobreviva, embora seja cada vez mais condenado e menos concorrido.
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